Às vezes o amor não dói pela ausência.
Dói pela medida.
Pela distância invisível
entre o que um coração oferece
e o que o outro consegue dizer.
Há quem ame em silêncio,
como quem acende uma vela
e acredita que a luz,
por si só,
já revela tudo.
Há quem ame em palavras,
como quem precisa ouvir o eco
para acreditar
que a montanha realmente existe.
Nenhum ama menos.
Nenhum ama mais.
Apenas habitam idiomas diferentes.
E, ainda assim,
há noites em que a vela
parece pouca luz
para quem esperava o nascer do sol.
Talvez o amor ideal
seja justamente esse lugar
onde vela e amanhecer
acontecem ao mesmo tempo.
Mas talvez esse lugar
tenha sido construído
para os poemas,
e não para os amantes.
Então seguimos.
Um aprendendo
a confiar na luz silenciosa.
O outro aprendendo
que nem todo amor
faz eco.
E que, às vezes,
o coração mais cheio
é justamente aquele
que menos sabe falar.
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