domingo, 24 de maio de 2026

Controle Predicado

 

Há um homem sentado

no centro exato da própria vertigem,

anotando perdas em planilhas invisíveis,

medindo afetos com régua de incêndio,

tentando domesticar o tempo

como quem põe coleira no mar.

Chamaram isso de prudência.

Chamaram isso de maturidade.

Mas era medo.

Medo vestido de método,

pavor usando gravata,

a alma inteira reduzida

a um contrato de prevenção.

Enquanto isso,

a vida — essa criatura indecente —

ria pelos cantos:

na ferrugem das estações,

na fruta apodrecendo doce sobre a mesa,

na boca dos velhos que já esqueceram os próprios triunfos,

nas cidades erguidas para virar pó.

Tudo cai.

Tudo escapa.

Tudo perde o nome.

Os impérios,

as promessas eternas,

as fotografias salvas em nuvens digitais,

os corpos definidos,

as opiniões absolutas,

o ouro, os credos, os algoritmos,

o orgulho de “ter razão”.

Nada permanece tempo suficiente

para justificar tamanho controle.

E no entanto

há beleza nisso.

Porque quando o homem finalmente percebe

que não existe muralha contra o abismo,

algo dentro dele desaperta.

Ele para de vigiar os próprios passos

como se o universo exigisse perfeição.

Para de pedir autorização ao amanhã.

Para de sacrificar domingos

ao deus ansioso das consequências.

Então atravessa a rua sem consultar o destino.

Ama sem calcular a ruína.

Dorme sem negociar com fantasmas.

Olha para a morte

como quem olha uma montanha distante:

real, inevitável,

mas incapaz de impedir a primavera.

E pela primeira vez

não tenta possuir a vida.

Apenas participa dela.

Como a fumaça participa do vento.

Como a onda participa do oceano.

Como a estrela participa da noite

mesmo sabendo

que já morreu há milhões de anos.

Talvez liberdade seja isso:

não vencer o medo,

mas parar de ajoelhar diante dele.

Aceitar que somos passageiros

num trem sem estação definitiva,

e ainda assim abrir a janela

para sentir o frio no rosto

como quem recebe uma bênção.

Porque a existência nunca prometeu sentido.

Só presença.

E às vezes,

quando o controle desaba,

quando o “predicado” falha,

quando não sobra nada além do instante —

há uma paz estranha e luminosa

em finalmente não precisar

salvar-se de tudo.

sábado, 28 de março de 2026

Toque toki

 Hoje foi uma pequena surpresa

Muito desejada mas inesperada visita

A vontade de amar à vontade

Que gostoso viver essa vida


Ei, eis me aqui, posso entrar?

Claro que sim meu amor!

É tudo nosso! É tudo lindo!

Gostaria de desfrutar uma taça de vinho?


E um luar generoso nos brinda

O calor e um afago gostoso me ganha

O abraço que eu tanto queria

Me desperta e encanta de tanta alegria


Vejo- te em seda e brilho

Toda de desejo, plena

Penso comigo, é um delírio

Eterno eu, em sonho e verdade, apenas...

quarta-feira, 18 de março de 2026

Lindo Dia Lindo

 é nas pequeninas coisas que descobrimos o amor

um levíssimo piscar de olhos

as mãos que se tocam suavemente

dizer sim com um sorriso

o calor aconchegante de um abraço saudoso

como é bom mergulhar no mar da paixão

sentir dentro o que já existe fora

pois a vida so existe em movimento e interação

vibrar nesse sentimento em cada vão momento

para no final poder constatar com muita glória e alegria

todos os dias

que hoje está um lindo dia!


sexta-feira, 13 de março de 2026

Passo a Passo

nao sabemos quando será o momento certo

hoje? amanha? ou em décadas...

Mas o futuro já existe lá no futuro

Assim como o passado ainda existe lá no passado

e tudo o que temos é um presente

viver e entender, eis o sonho

e apenas sonhando consigo respirar

ininterruptamente, a cada suspiro, realizar o sonhar

sonhe comigo, pois sonhos que sonha junto geram muita força

e com força e muita fé a ideia ganha pé

viva e ande, pé por pé, pois só assim haverá de chegar

o momento sonhado do sonho de momento.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Poesia, energia livre

 nas profundezas da alma imortal reside um portal

as energias que vibram e sustentam a ilusao do real

como se acha que podemos tocar sem nunca existir

apenas a frequencia que se condensa e peca no porvir


nao basta a dor, nao basta o calor, nao basta o pendor

ha que se transmutar, que se superar, que se transcender

a raiz está na energia, o fluxo que contagia, a luz que irradia

vem e perceba que nunca houve a imagem, nem o som, nem o perfume


somos e vivemos por códigos e codificações, compilados e interpretados

mas a nave mãe não é uma máquina, é uma força, uma entidade

espirito, consciência, mente, ideia, força e fé, todos símbolos iguais

o derradeiro destino é o ponto de partida, somos poeira e somos imortais


vibre e pire, sinta e mire, jogue e tire, toque e vire

a magia é a lógica que se sente, que não se repete, mas rima

é na poesia que a onda se colapsa e a matéria se firma

que a liberdade viva em você e que você viva a liberdade de ser.