quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Protagonismo

De um pequeno próton e um minúsculo elétron

Da mancha escura e concentrada brota a energia mais bela

um eterno desdobrar e dividir que busca conquistar e expandir

Prontamente nunca estou, mas sinto a eternidade do som


A raiz de tudo que existe vem desse som, desse 1o próton

possivelmente nada disso existiria, mas cá estamos

me dá esse bastão, eu recebi chamado e eis me aqui, sem pecado

vou carregar e erguer alto pela glória e alegria de viver


Nada somos, apenas o universo inteiro que se fez em carne

eis então a verdadeira e nobre missão: ser a grande felicidade universal

Vem, vamos juntos em boa hora vibrar e fazer acontecer

Quero e sinto seu chamado, e escolho livre o quão feliz quero ser


Por todos os meus amores, meus irmãos, meus ancestrais

Pelos lindos aprendizados, lições, sentimentos e chamas

estou aqui, estou pronto, estou forte, estou limpo, estou entregue

Me submeto e me regozijo, me refaço, e, feliz, me reconecto.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Antagonismo

como em cada pequeno maço de energia

flui em mim a onda de tristeza e alegria

o encontro seco e inebriante de luz e sombra

o evitável caos do inevitável encontro me ronda


nao sei mais nada, mas com invejável clareza

nao quero mais nada, apenas tudo que sonho

uma dor me consome que não tem nome

salto no escuro e busco as asas no caminho


sozinho, sento aqui e penso

o que é a verdade, o que é a felicidade

talvez a arte contenha as respostas que não tem perguntas

mas é na reciprocidade que sinto ser a minha cidade


devo eu buscá-la? ou apenas aguardar a chegada de godot?

preencher os vazios que são a grande regra constante desse universo

sou grato pelas agulhas pontudas que me tocam a alma

quero sentir tudo e me embriagar de lucidez e sobriedade


um último mergulho, ali no sossego

esculpir a vênus de mim elucubrada

tal qual a tatuagem, depois de apagada

o lago puro, insípido e inabitado


Viva a coragem de nada ser

A vontade de se esconder

o desejo de voar

a fé no absurdo invisível e obscuro

Apenas, e há penas, isso.